Mapa da feira

31/10/2008

Conforme o prometido, vai aqui o link pro mapa da Feira do Livro. A barraca da Nova Prova, a editora que nos boicota é a 122, em frente à entrada do Bistrô do Margs, próxima ao prédio do Banrisul. Vá até lá e peça o Inventário.   

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Estou me engajando na campanha Peça o Inventário na Feira. O inventário é o livro retratado aí em cima, ao lado do convite para o seu lançamento em São Paulo – o Manpituba não é e nunca será nossa fronteira final (o espaço talvez) – e que está sendo, digamos… negligenciado pela editora. Se você quiser participar da campanha, basta aparecer na barraca da Nova Prova – aguarde para breve, neste mesmo blog,  mapa com a localização da nefanda – e pedir o Inventário das Delicadezas. Se conseguir adquiri-lo, faça-o. Você estará levando para casa o produto do esforço e do talento de dez escritores gaúchos que lhe oferecem boa leitura em troca de uns poucos “pilas”. Uma troca justa, convenhamos.

O livro de capa alaranjada que o caro leitor deste blog vê, no centro da foto acima, é o Inventário das Delicadezas, obra a vinte mãos, dez cabeças, muito trabalho e algum talento. A madeira que o sustenta é parte da gôndola nobre de uma das maiores redes de livrarias do país, a Livraria Cultura. Estamos todos de parabéns: os autores Cristina Moreira, Daniela Langer, Emir Ross, Leila de Souza Teixeira, Leonardo Colucci, Lívia Petry, Luiz Ohlson, Nelson Rego, Paulo Juner e Valmor Bordin; sem esquecer, naturalmente, nosso mestre Charles Kiefer, organizador e incentivador permanente. Sim, temos uma editora, é claro. Mas ela procede como se não fizessemos parte de seu catálogo. Logo, não vejo porque promovê-la.

Olha eu aí, autografando o 104 que Contam, ontem, terça-feira 21 de outubro, no Memorial do RGS. Uma festa bonita, onde reencontrei colegas oficineiros e amigos. O conto com o qual participo chama-se Velho Marinheiro, e aí vai:

Velho marinheiro

Luiz Ohlson

         Imóvel, os olhos fixos no teto, o capitão Jean-Jacques de Villemond espera. Sabe que ela não deixará de vir, regular e inevitável como as marés. Sabe também que não será como um vagalhão destruidor, daqueles capazes de provocar naufrágios e fazer soçobrar a mais bem construída das naus. Antes, se fará anunciar eriçando-lhe suavemente a pele, prenúncio do tormento que o espera, como o leve crispar das ondas é o prenúncio das grandes tempestades. Sabe ainda que ao chegar e instalar-se, ela percorrerá todos os seus rios, fazendo de cada órgão um porto, deixando em cada um deles sua carga de sofrimento. O capitão não tem ilusões: ela tomará conta de seus pensamentos, impedindo-o de concentrar suas idéias em nada nem ninguém mais, a não ser nela.

 

Quando ela chega, com aterradora pontualidade, o capitão vê iniciar sua meia hora diária de horror. Como um barco sem leme, que tivesse seu casco arremessado contra as pedras, assim se sente o capitão Jean-Jacques de Villemond. E seus temores, um dia fugazes e imprecisos, são agora reais e cruéis. Como um velho galeão à deriva, impotente à abordagem, é saqueado do pouco que lhe resta de consciência. A respiração se torna difícil, como se, soçobrado, visse a água invadi-lo, roubando-lhe o pouco ar que seus pulmões mendigam.  

 

Só o outro rio, o gelado, percorrendo suas veias com bem-vinda pontualidade, lhe dá a esperança de algum alívio, devolvendo-o, aos poucos, ao lugar que ocupa e ao tempo em que vive. O capitão sente-se agora como uma caravela, ancorada ao largo, velame arriado, balançando lenta ao sabor das ondas. Seus temores, temporariamente afastados, dão lugar à memória de terras e mulheres, visitadas e invadidas. Mas mesmo essas lembranças aos poucos se esvaem, trocadas pelo sono, bendito mergulho em águas cálidas.

        

Seu sono é tomado pela dor, que chega novamente, desta vez sem anunciar-se; e pelo frio, um frio que ele não esperava, e capaz de invadir-lhe músculos e ossos. Aos poucos, une-se a eles uma companhia que o capitão sempre desprezou: o medo. Agora, não é mais nau, galeão ou caravela. É um bergantim com o velame inflado, navegando veloz em direção ao horizonte, surpreendentemente branco e limpo de nuvens. 

 

 Imóvel, os olhos fixos no teto, o capitão Jean-Jacques de Villemond observa a esteira branca que se afasta, definitivamente. 

 

Política

20/10/2008

Não, não pretendo fazer propaganda político-partidária. Não foi pra isso que criei o blog. Mas certamente não posso ficar à margem do processo eleitoral que culmina no próximo domingo, com o segundo turno das eleições municipais. Afinal, somos todos animais políticos. Ou será que não nos interessa quem vai gastar os impostos que pagamos? Se você concorda que a resposta à esta pergunta é afirmativa, vote. No melhor, se puder distingui-lo entre os dois candidatos. No menos pior, se o seu desencanto não lhe permite melhor avaliação de nenhum deles. Mas vote.

Dia do Professor

15/10/2008

Homenageio os professores, no seu dia, na figura de alguns que marcaram minha vida escolar e pessoal. Impossível esquecer: professora Élia, minha professora do 5º ano primário – sim, eu sou desta época – do Grupo Escolar Daltro Filho, que me preparou, com competência, para os passos seguintes de minha trajetória discente. Do Colégio de Aplicação: professora Elita Copstein, de História, que ensinava, mais do que a sucessão de datas, a grandeza dos vultos e a importância dos eventos, o respeito às individualidades e características, que acabam por escrever, para o bem ou para o mal, a própria história dos povos; professora Maria Anita, de Artes, que deixou marcada, em cada um dos seus alunos, a importância do pensar e criar por si, não pela perseguição ao modismo, mesmo que mais cômodo fosse; professora Lia Luft, a quem agradeço hoje o respeito e apreço que tenho pela língua portuguesa; professor Carlos Appel, de Literatura, que soube incentivar, mesmo que ele não soubesse disso, o amor pela leitura que herdei de meu pai; professor Jaime, o Peixinho, de Educação Física, adepto da disciplina, que não só ensinava como praticava, e tantos outros que a memória já não alcança, mas que certamente marcaram minha adolescência.

Não seria justo deixar de citar o amigo e mestre, Charles Kiefer, meu professor de oficina de literatura, incentivador da leitura e da escrita, e por cujas mãos vi meu nome estampado em letra de forma e capa de livro.

E finalmente, meu beijo especial à professora com quem casei, Maria Helena, que vem, ao longo de mais de 35 anos, tentando, às vezes inutilmente, mas com o empenho e o amor que dedica a todos os seus alunos – e sou testemunha disso – fazer com que eu me gradue como gente. Árdua tarefa, reconheço.

E lá vamos nós

14/10/2008

Capa do 104 que contam, do qual eu participo. Dia 21/10, lançamento no Memorial do RGS, às 19 horas e dia 08/11, sessão de autógrafos da Feira do Livro, também no Memorial, às 20 horas.